Dai-lhes Vós de Comer! 

A algum tempo atrás eu fui em uma loja comprar toalhas. Eu aproveitei que as crianças estavam na escola e resolvi ir na parte da manhã. Quando chequei na loja tive que esperar uns 10 minutos para abrir uma vaga onde eu pudesse estacionar meu carro (acho que todos estavam pensando como eu). Enquanto esperava, notei que havia um jovem maltrapilho tentando parar todas as pessoas que entravam e saíam da loja. Alguns pararam para ouvi-lo, mas logo balançavam a cabeça com um não e continuavam no seu caminho. Outros tolamente ignoravam aquele jovem como se ele fosse invisível. Quando finalmente estacionei meu carro e me dirigi à entrada da loja vi aquele jovem vindo ao meu encontro. Ele me perguntou se eu tinha algun dinheiro que pudesse dar pra ele. Eu perguntei: “Para que você precisa do dinheiro?” (Eu sempre faço esta pergunta porque prefiro dar o que a pessoa está precisando do que dar dinheiro. A última coisa que quero é alimentar o vício de uma pessoa que precisa na verdade ser liberto). Ao que ele rapidamente me respondeu com um tom de frustração: “Eu estou com fome!” Ao ouvir aquilo meu coração partiu. Eu olhei para aquele jovem sujo e maltrapilho, que deveria ter um pouco mais de 20 anos, mas a dureza da vida o fazia aparentar ter muito mais. Perguntei pra ele o que ele queria comer e ele me deu um simples cardápio de cheseburger e batatas fritas. Eu pedi que ele me esperasse ali até que eu voltasse com sua comida. Quando voltei ele estava quardando a vaga que eu havia por tanto esperado para conseguir. Entreguei a ele o lunche, ele agradeceu e rapidamente se foi. Entrei na loja em busca das minhas toalhas, mas aquele jovem não saia da minha mente. Tudo o que ele queria era algo para comer. Eu fiquei tão consumida com as palavras daquele jovem quem eu pequei meu carro e fui embora pra casa sem minhas toalhas.

Quando li o texto de Marcos 6:30-45 eu me lembrei daquele jovem e tantos outros que já havia ajudado desde então. Confesso que quando li o verso 34 meus olhos se encheram de lágrimas: “E Jesus, saindo, viu uma grande multidão, e teve compaixão deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor; e começou a ensinar-lhes muitas coisas.” Sabe porque? Porque eu já me senti da forma que Jesus se sentiu naquele momento. Eu já olhei para uma pessoa e senti compaixão, não só pela necessidade física, mas tambem pela necessidade espiritual.
Vivemos em momentos extremamente difíceis. Por todos os lados, tanto no nível local, nacional e até internacional, existe um sentimento comum. As pessoas estão se tornando cada dia mais egoistas e desumanas. Diante dessa tremenda necessidade seria normal que as pessoas se tornassem mais abertas a ver a necessidade umas das outras e oferecer alguma ajuda e conforto. Mas isso não é o que está acontecendo. Eu fico impressionada como temos deixado os nossos corações se indurecerem diante de tanta necessidade. E para fazer as coisas ainda piores, eu vejo a apatia da igreja, que tem cada dia mais se mantido ocupada consigo mesma com um infinito roteiro de atividades e eventos. Fala-se o tempo todo de alcançar as almas perdidas, mas fazem muito pouco para ir além das quatro paredes. Do lado de fora dos lindos templos que construímos com infinitas campanhas está um campo missionário pronto para ser alcançado. Todo mês se inicia uma nova campanha, planeja-se mais eventos, mais atividades que mantém o povo de Deus aparentemente ocupado com a obra de Deus. Quando chega o evento, vestimos a nossa melhor roupa, arrumamos os cabelos e pintamos as unhas. Com a família toda linda e cheirosa entramos no nosso carro e vamos adorar a Deus. Passa ano, entra ano e nos acostumamos com essa rotina que só involve o nosso bem próprio. Nos tornamos egoístas e negligentes mediante a verdadeira missão que Jesus deixou para o seu povo, vidas.

A algumas semanas atrás eu li um livro que abalou a minha maneira de ver como tenho vivido o cristianismo. O livro “Unchristian – What a new generation really Thinks about christianity and why it matters” (nãocristão – o que a nova geração realmente pensa sobre o cristianismo e porque é importante) de David Kinnaman e Gabe Lyons é na verdade uma análise de uma pesquisa sistemática do estado atual dos cristãos nos Estados Unidos. A cada página que eu lia o meu coração parecia encolher no meu peito. 
A igreja evangélica está em sérios problemas! Perdemos o foco e estamos caminhando perigosamente à beira do abismo. O pior de tudo é que a nossa frieza, negligência e apatia têm diminuído nossa eficácia de compartilhar com os perdidos o poder do Deus que declaramos servir. De acordo com as pesquisas, o mundo vê o nosso egoísmo e também vê a nossa ipocrisia. Pregamos o que não vivemos e vivemos o que não pregamos. Triste, mas essa é a realidade. Não há como correr dela.

Quando Jesus chegou ao lugar que ele levara os discípulos para descansarem e comerem, a multidão faminta e necessitada já estava ali. Jesus viu além da necessitada física daquela multidão. Ele viu a desolação dos corações fãmintos por Deus. Comovido por compaixão, ele os alimentou, não com o pão corrompido que alimenta so a carne, mas com o Pão da Vida, a própria Palavra de Deus. Com o passar das horas, a fome física iria se tornar a necessidade maior. De onde viria o pão? Os discípulos já estavam prontos para mandar aquela multidão embora para que procurassem seu alimento e suprisse a sua necessidade por si só. Mas isso não foi o que Jesus tinha em mente. Ele surpreendeu aos discípulos quando disse: Dai-lhes vós de comer! Sabe o que vejo aqui? Jesus continua dizendo a mesma coisa a nós ainda hoje. O tempo que vivemos pode ser outro, mas a necessidade continua a mesma. Há vidas precisando do alimento da alma e a vidas que precisam do alimento físico. O que aprendemos de Jesus é que, nós, como seus discípulos, temos que nos comover a suprir tanto uma como a outra. O mais importante é entendermos que ao apresentarmos a ele o que temos, Ele transforma no suficiente. Não é o que temos que é o suficiente, mas o que Ele pode fazer com aquilo que colocamos em Suas mãos. Ele transforma o nosso “pouco” no “mais do que suficiente”. Eu já vi muitos pastores extraírem mensagens e revelações profundas deste texto. Mas esta mensagem é simples. Podemos extrair o que quisermos, mas se não transformamos este conhecimento em ação, tudo será em vão. A pergunta que Deus tem para nós hoje é: “Quantos pães tendes? Vai e vede”. Jesus só permitiu que aquela multidão fosse dispersa depois de estarem fartos. Jesus não mudou o seu foco ou sua missão. Esse erro somos nós que temos cometido. Já passou da hora de mudar. Esse dia de mudança pode ser hoje, e pode começar em mim e em você.

Examinemos cada uma de nós o que temos em nossas mãos e apresentemos isso ao Senhor. Ele vai nos dizer o que fazer e no final seremos testemunhas de grandes milagres. Veremos vidas sendo transformadas e alimentadas no corpo e alma. Essa è a nossa missão nessa terra. O resto são apenas distrações criadas pelo homem que se recusa a aceitar a simplicidade do evangelho de Cristo e da eficácia do seu poder.
Deus abençoe,
Aquila

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